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Justiça enquadra ex-marido de Val Marchiori na Lei Maria da Penha após descoberta de rastreador em carro da empresária
A Justiça de São Paulo determinou que o empresário Thiago Gonzaga Castilho de Sant’Ana, ex-marido da socialite Val Marchiori, passe a responder por violência doméstica, após investigação apontar indícios de perseguição e monitoramento. O caso, que inicialmente era tratado como crime de stalking, foi transferido para a Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, após parecer do Ministério Público reconhecer que os fatos se enquadram na Lei Maria da Penha.
11/11/2025 17h21
Por: Wilker Manoel

Conforme o inquérito aberto no 78º Distrito Policial (Jardins), Val relatou que, após a separação, o ex-companheiro passou a segui-la, ameaçá-la e tentar controlar seus passos. Em agosto de 2024, a situação se tornou ainda mais grave quando a empresária encontrou um Apple AirTag escondido no kit de primeiros socorros de seu carro. O rastreador, segundo a investigação, estava vinculado a um número de telefone associado a Thiago.

Além disso, Val também descobriu dois gravadores de áudio camuflados no quarto de sua casa, presos na parte inferior de uma televisão. A empresária registrou ocorrência e solicitou medidas protetivas, já deferidas pela Justiça. Um laudo pericial confirmou que os dispositivos funcionavam normalmente e haviam sido instalados de forma proposital.

Durante o depoimento, o empresário negou as acusações, afirmando que mantém apenas vínculo profissional com Val Marchiori, uma vez que ambos ainda são sócios em empreendimentos empresariais. Ele também afirmou que o número associado ao rastreador “pertence à própria Valdirene”, nome de batismo da influenciadora, e disse que estaria sendo vítima de uma tentativa de afastamento dos negócios.

A promotora Margareth Ferraz França, do Ministério Público, avaliou que as condutas relatadas caracterizam violência psicológica e perseguição, enquadrando-se no artigo 7º, inciso II, da Lei Maria da Penha. Em documento encaminhado à Justiça no dia 31 de outubro de 2025, ela ressaltou que “o caso reflete claramente um contexto de violência doméstica e de gênero”.

A juíza Giovanna Christina Colares, da 4ª Vara do DIPO (Distribuidor de Inquéritos Policiais), acolheu o parecer e determinou, em 3 de novembro de 2025, o envio do processo à Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, onde o caso seguirá em tramitação.

Com a decisão, Thiago Castilho passa a ser formalmente investigado sob os dispositivos da Lei Maria da Penha, que protege mulheres contra agressões físicas, morais, psicológicas e patrimoniais dentro de relacionamentos íntimos. O processo segue em segredo de Justiça.