
Mais do que um figurino, o traje funciona como um manifesto. Produzida artesanalmente ao longo de dois meses, a fantasia propõe uma reflexão sobre memória, invisibilização e resistência, ao transformar páginas esquecidas em elemento de protagonismo na avenida.
Para Mileide, o look representa um posicionamento claro contra o racismo e as diferentes formas de opressão. A Rainha de Bateria destacou que a valorização da história e da arte do povo preto deve ser uma responsabilidade coletiva, independentemente do lugar de fala.
Ao estudar a trajetória de Carolina Maria de Jesus, Mileide afirma ter compreendido a força de uma mulher que, mesmo diante de inúmeras adversidades, nunca abriu mão de lutar por dignidade e direitos. Segundo ela, o legado deixado pela escritora ultrapassa gerações e segue inspirando mulheres a conquistarem espaço e voz.
O figurino também incorpora borboletas como símbolo de transformação, representando a autora que fez da própria dor matéria-prima para resistência e literatura. Na Sapucaí, Mileide levou para a avenida uma narrativa visual potente, que une arte, história e consciência social.
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