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Camila Olivieri se despede de “Dona de Mim”, reflete sobre a carreira e projeta novos passos em 2026
Na reta final de Dona de Mim, Camila Olivieri encerra um dos capítulos mais significativos de sua trajetória na televisão. Prestes a completar 40 anos, a atriz vive um momento de afirmação profissional ao interpretar Lorena, personagem que representa mulheres comuns, trabalhadoras e determinadas a transformar a própria realidade. Para Camila, o papel simboliza não apenas mais um trabalho, mas a soma de anos de persistência, formação e escolhas conscientes.
09/01/2026 14h01
Por: Wilker Manoel

Nascida, criada e ainda moradora do subúrbio do Rio de Janeiro, a atriz sempre enxergou a novela como um espaço de diálogo direto com o público. “A teledramaturgia conversa com o Brasil inteiro. Ela influencia comportamentos, levanta discussões e cria identificação. Eu venho desse lugar popular e é para ele que faço questão de direcionar meu trabalho”, afirma.

A experiência em Dona de Mim também marcou Camila pela duração e intensidade das gravações. Foi a novela mais longa de sua carreira, exigindo uma rotina intensa e quase diária nos momentos finais. “Foi um aprendizado enorme. Passei a ter ainda mais admiração por quem segura uma protagonista durante meses. É um nível de entrega muito grande”, conta.

Ela atribui boa parte da força da trama à autora Rosane Svartman, com quem trabalhou pela segunda vez. “Rosane tem coragem. Ela não suaviza temas importantes e consegue provocar reflexões profundas dentro de um produto popular. Isso é raro e muito necessário”, destaca a atriz.

A relação de Camila com a arte começou cedo: ela iniciou a carreira profissional ainda na infância e encontrou no grupo Nós do Morro uma base essencial para sua formação. Foram cerca de dez anos de aprendizado coletivo, que moldaram não apenas a artista, mas também a cidadã. “O Nós do Morro me ensinou sobre disciplina, resistência e trabalho em grupo. Ali entendi que fazer arte também é um ato político e social”, relembra.

Com passagens por produções como A Força do Querer, Malhação, Sob Pressão e o humorístico Tô de Graça, além de trabalhos no streaming e no cinema, Camila avalia 2025 como um ano de forte conexão com o audiovisual. “Foi um período intenso, que me deixou com vontade de continuar explorando novas narrativas e formatos”, diz.

Os planos para 2026 já estão em movimento. A atriz participará de uma nova série escrita por Thalita Rebouças, prevista para o Globoplay, e também pretende retomar projetos no teatro — linguagem que segue como pilar central de sua vida artística. “O teatro é onde eu me reencontro comigo mesma. Sempre será meu ponto de retorno”, garante.

Ao olhar para trás, Camila reconhece os desafios enfrentados por ocupar espaços historicamente negados a perfis como o dela. Ainda assim, vê sua caminhada como um gesto de permanência e abertura de caminhos. “Hoje entendo que seguir foi, acima de tudo, um ato de resistência. Continuar é uma forma de dizer que outros também podem chegar”, conclui.