Nascida em Uibaí, na Bahia, Simone explicou que a família deixou o estado quando ela era ainda muito pequena. A mudança para o interior do Mato Grosso aconteceu com a esperança de uma vida melhor: seu pai acreditava que poderia encontrar estabilidade trabalhando como garimpeiro em meio à corrida pelos diamantes, que atraía milhares de pessoas na época.
“Meu pai sempre acreditou que poderia dar um futuro mais confortável pra gente. Ele vivia atrás de uma chance”, lembrou a cantora.
Durante a entrevista, Simone se emocionou ao rever uma antiga foto da família — registro que marcou a lembrança da perda do pai, quando ela tinha apenas oito anos. A morte, cercada de dificuldades financeiras, deixou uma ferida que ela ainda sente ao recordar.
“Foi muito doloroso. Nós não tínhamos recursos, e ele acabou sendo enterrado como indigente. Minha mãe era muito simples, não tinha instrução, não sabia como lidar com aquilo”, contou, com a voz embargada.
A cantora também revelou uma promessa que fez junto dos irmãos, Caio e Simaria: garantir ao pai um enterro digno quando tivessem condições. Elas tentaram localizar os restos mortais anos depois, mas a forma como o sepultamento foi realizado e o tempo decorrido tornaram o resgate impossível. Ainda assim, Simone reforça que a intenção permanece viva no coração da família.
“Era o mínimo que queríamos fazer por ele. Mesmo não conseguindo, carregamos esse compromisso no amor e na memória”, afirmou.
Hoje, reconhecida nacionalmente, Simone diz que sua história difícil é o que a mantém centrada. Para ela, relembrar o passado não é motivo de dor, mas uma forma de honrar sua trajetória e valorizar cada conquista alcançada.